
Hoje lembrei-me de ti. O prazer de não sentir falta deste alívio que te foste tornando mostra que as coisas vivem e sobrevivem. Até um dia destes
After the rain comes sun, after the sun comes rain again
Intrinsecamente atingi o desespero de quem não sabe como agir. Atitudes desviantes forçam-me cada vez mais ao erro. Já qualquer coisa se admite como positivo, a diferença entre querer, ter e poder é quase imperceptível. Sigo o caminho de quem não quer ver, apenas viver... dia por dia, sem metas, corridas ou etapas. Cada alvo atingido é mero acaso provocado por algo completamente instável... eu!
O sentimento de querer fugir adormece-me os prazeres do presente. A situação de estar, viver, lutar por causas que já não são as minhas servem os limites que me rodeiam mas nunca a mim. Ao longo da estrada vou-me perder imensamente, explorar outras saídas, tentar novas oportunidades. A infeliz dor de não acreditar em coisas completamente plausíveis para outro ser humano que não eu faz-me sentir desligado, esquecido. Os sentimentos prazerosos adquirem-se por dentro, na alma. Contemplo cada vez mais as horas subtis, quando todos descansam e eu me alívio, por saber que isto tudo me é intrinsecamente distante mas possível de ser vivido e conjunturado com um estilo de vida que cada vez mais desejo. A paz de quem compreende o erro, o conflito, porque sabe que dele só poderá advir conhecimento é o meu único e possível destino...
Por mais que tudo pareça perfeito, por mais que tudo pareça seguir um caminho coerente e delineado há e haverá sempre pequenos desvaneios, loucuras, tentações, perdições que transformam o resultado final.
O constante vaguear de ideias e emoções que não costumam fazer parte de mim assustam-me. Sentimentos estranhos perseguem-se constantemente. Abstraído dos meus prazeres normais, dos sentimentos permanentes, tento que o momento represente algo que enriqueça a qualquer nível.Não quero perder o desenrolar do desenho. As horas confusas que me atraiem, as horas de ninguém,só minhas, o momento de acender a vela, de construir, ajudam-me a suportar a dor e a entendê-la... Sinto-me perdido em períodos inimagináveis de sensações puras de libertação que duram horas que não parecem fazer parte de nada nem ninguém. A vela apaga, o prazer acaba, a dor liberta e intrinsecamente atinjo algo sublime, estável e agradavelmente calmo
Não há luz.
Hoje o dia nasceu diferente, emoções cada vez mais distantes e alheias, sentimentos que parecem querer desaparecer. Aguarda-me solenemente algum tipo de decisão, pelo menos uma atitude para não deixar ferir quem eu, para sempre, amarei. Custa-me dizer-te que os caminhos parecem distantes e perturbados, que a felicidade temporal de quem fala por saudade acabou, que a vivacidade do momento já não existe...E assim tento passar despercebido, acompanho-te nessa vida que em nada te parece estranho. E espero que o sentimento apareça novamente, a razão de sermos construa um significado e que tudo seja mais fácil. Não se desiste apenas porque uma rebelião de pensamentos suicidas ocasionalmente aparece, enfrentem-se os piores momentos sem fugir e os dias, um dia, irão parecer novamente importantes.
Ano novo, despertares antigos... todas as complicadas vivências massacram um destino que se quer positivo. Conflitos interiores, razão nenhuma, apenas o abuso de certas ilicitudes aliadas a um desespero crónico de quem não tem respostas para o que aí vem. Tenta-se a construção de algo superior, que me faça atingir aquele sentimento de alivio necessário para a continuação do caminho. Os problemas já não são os mesmos, mudaram intrinsecamente, neles era depositado a esperança de tu acreditares que eu sou capaz, agora tento eu acreditar em mim, agir e tomar posição. Sinto-me expectante em relação a muito, deixo o tempo passar, não justifico, apenas marco presença. E sei que a resposta não é essa, sei que o caminho é dificil e tenebroso mas que eu sou capaz de o percorrer com mais ou menos dificuldade...